Homenageados - 6º Curta Santos

Tema: Liberdade

Paris, México, Rio, Praga, Hanói , Washington, Berlim, La Paz, Buenos Aires. Ecoavam no planeta brados de "É proibido proibir", "A beleza vem das ruas", "Faça amor, não faça guerra", "A imaginação no Poder" Gritos pelos direitos civis, pela contracultura... Falava-se em napalm, fuzis e rosas, ofensiva tet, tropicália, na guerra ao vivo pela TV. Contra o conformismo, milhares de pessoas foram as ruas em todo o planeta.

O ano de 1968 representa um dos fenómenos mundiais mais ricos da humanidade. Um período marcado pela busca pela liberdade, por novos conceitos e rupturas, em que os movimentos de massa questionavam a fascistização promovida por duas guerras anteriores.

Algo não muito diferente do que vivemos no presente. Ou, talvez, o hoje seja muito pior.

Ditaduras se instituíam em todos os continentes, a base de sangue. Os pais não respondiam as indagações dos filhos sobre as guerras. Uma "redoma" que se instaurou, contestada pelo movimento estudantil em pleno crescimento e por respostas como o "paz e amor" e os festivais de músicas.

Até que a redoma explodiu.

Uma fantástica revolução acontece em maio de 1968, fruto deste sentimento de revolta juvenil, anticonformista, aos brados de "A revolução vem das ruas", ao som de "pra não dizer que não falei das flores".

Hoje, 40 anos depois, 0 6 Curta Santos aborda este período em diversos recortes que revelavam sua riqueza, com uma mostra de filmes em curta, média e longa metragem este, um formato inédito na História do Festival e que recebe nossa gratidão, com "Atabaques de nzinga", "Linha de Passe", "Filhas do Vento", os filmes do Lírio Ferreira...

E ainda uma reflexão sobre o negro e Audiovisual , capitania por Joel Zito, com Sarava Lea Garcia, Axe Zozimo Bulbul , Jeferson De, Adriana Lessa, Lucimara Martins, e Madi Soqui, mulher-atriz, cuja imagem no festival expressa a liberdade. Pensadores por um cinema de ideias anti-radicais e de desenvolvimento social.

Saudamos a chegada do MixBrasi1 , também propondo revisão na estigma sobre a identidade sexual. A segunda mostra universitária, agora em conjunto com o Instituto Impacto, a adensada pela parceria com o Perro Loco, maior encontro latino americano de produções do segmento: ao todo, exibições em 14 universidades da região do litoral paulista, além de debates sob o olhar analítico e questionado de Joao Batista de Andrade, Eliana Caffe, Luiz Carlos Lucena, Guilherme de Almeida Prado, entre outros....

São tantos os libelos, tão pouco tempo e espaço para contempla - 10s todos, fica aqui um registro honesto, propondo mostras variadas, dentro do tema.

A Liberdade e o direito maior do cidadão, mas o cinema latino não pertence a grande cadeia internacional de distribuição. Ficamos ilhados, impossibilitados de identificar nossa própria História e diversidade, nossa liberdade de melhor se distribui . Permanece o desafio de incentivar um cinema de amplo acesso, capaz de atingir grandes faixas da população, como instrumento de conhecimento permanente de sua identidade, raiz e cultura.

Ao longo de sua trajetória e especialmente nesta edição, o Curta Santos impõe — se no presente ao romper a imensa barreira de circulação de obras, com o intercambio do cinema entre os países latinos. E necessário ter um espaço livre, para salvaguardar a diversidade de visões, conteúdos e plataformas. E assim, fincar posições contra a hegemonia de Mao única, horrenda e antilibertaria.

Nossas Homenagens:

55 anos de oficio, dama por excelência. "Uma pulga na balança", "Cidade Ameaçada", "São Paulo S.A.", "Feliz Ano Velho"... Eva Wilma Buckup. Eva Wilma, Vivinha para os amigos.. Forjada no teatro, lapidada na televisão, pontifica no cinema. Magnífica!

Ator, diretor, dramaturgo, crítico, intelectual , imortalizado em personagens como, Vadinho, Conselheiro, Lorde, Tenorio Cavalcanti. Jose Wilker... sua carreira acrescenta complexidade ao diálogo entre o ator e a câmera. Uma relação que soube inovar e aprofundar.

Vivinha, Wilker... habilmente traduzi dos em nossas páginas por meio das generosas participações de Irene Ravache e Caca Diegues, a quem também agradecemos .

Merten

Ele fala da capacidade que o cinema tem em nos surpreender e maravilhar, peregrinar e, espaços onde ocorrem discussões de cinema, festivais, universidades, palestras, aulas magnas. Nos permite desfrutar e saborear seus conhecimentos de forma generosa econtundente. Nosso decano.

Lirio Ferreira

Um grito vigoroso despontou em Pernambuco. Hoje, ecoa como uma das referências no moderno cinema descentralizado no Brasil. Cinema de cores fortes, sem concessão, autoral e para o grande público. Festejamos a carreira de um inovador pensador do contemporâneo.. Longas, curtas e videoclipes, fixam seu olhar. Viva Lirio.

Canal Brasil

Uma década de contribuição a exibição do cinema nacional , um autêntico cineclube virtual , espaço privilegiado. Fala-se, estuda-se, analisa-se e mostra-se o cinema aos brasileiros, em milhares de títulos de géneros, épocas, ciclos e espaço distintos.

Cineclubismo

São 80 anos de um trabalho de amor, forjando geniais gerações de cineastas, formados nos cineclubes por todo o país.

Cinevivo, gracias. Parceria que nos traz os bienvenidos curtas argentino.

Enfim, são tantos filmes, tantos cinemas... Que se instaure um clima provocador, que gere e estimule o prazer de ver e conversar.

patrocinadores, parceiros, apoios, juntos na realização, nossa gratidão.

Evoe Eva Wilma!
Eita! Lirio Ferreira.
Salve! Mestre Merten
Os louvamos!
TORQUATO A GELEIA TA REAL!
MAURICE OI TU AQUI!
SIN PERDER ÇA TERNURA, Che!
POR TODAS AS QUEBRADAS DO MUNDAREU, Plinio!
Que nos gurada los dios e os orixás,

Toninho Dantas / Ricardo Vasconcellos
"Patriam Chari tatem et Libertatem Docui"

Troféu Lilian Lemmertz — Eva Wilma

Contar com a interpretação de Eva Wilma - seja no cinema, no teatro ou na televisão - é ter a garantia de que aquele trabalho terá uma assinatura ímpar. Seu estilo único não só a consagrou, mas permanece como uma referência que atravessou décadas e modismos.

Vivinha desfruta de tamanha credibilidade que, aos olhos do público, às vezes parece dar a impressão de que constrói seus personagens com extrema facilidade. Ledo engano. Sua atuação é resultado de um longo processo, que passa por sua formação profissional e pessoal, além de envolver absoluta dedicação e comprometimento.

Perfeccionista e estudiosa, ela não se contenta em simplesmente "ligar a chave" para compor seus papéis. Atriz aplicadíssima, renova seu ímpeto a cada entrada em cena. Não compactua com a superficialidade.

No cinema, desde as primeiras produções, costumo dizer que ela parecia uma atriz recém-saída de filmes italianos da época. Uma verdadeira dama das telas, que chegou até a ser convidada por Alfred Hitchcock para um teste. Pudera. Ela havia acabado de recriar no palco - no espetáculo "Blackout", dirigida por Antunes Filho — a Susy que Audrey Hepburn consagrara no filme "Um Clarão Nas Trevas" .

É bom dizer também que seu talento para papéis sérios e dramáticos não anula sua extraordinária veia cômica. Lembro-me do quanto nós nos divertíamos, ao lado de Tônia Carrero, enquanto gravávamos "Sassaricando", para a TV Globo. Eu já a conhecia desde a época em que fizemos "A Viagem" para a TV Tupi, mas nossa amizade foi conquistada aos poucos, mutuamente. Nossa cumplicidade hoje é das mais prazerosas.

Por tudo isso, recebo com muita satisfação a notícia de que o Festival Curta Santos presta, nesta que é sua sexta edição, um reconhecimento ao trabalho de Vivinha. Afinal, o "jeito Eva Wilma de ser" é um exemplo para todos nós, atores e sinaliza, como poucos, um caminho de seriedade e comprometimento com o ato de interpretar

Irene Ravache - Atriz e produtora teatral

Troféu Cláudio Mamberti — José Wilker

Existem certos rostos que se identificam com a própria história do cinema moderno no Brasil. Um deles é o de José Wilker, presente em nossos filmes, do Cinema Novo à Retomada, em papéis marcantes de grandes filmes. Eu o conheci primeiro no teatro, representando textos sempre ousados de autores e diretores revolucionários. Wilker inventou aí uma maneira original e moderna de interpretar aqueles papéis, como se seu próprio corpo transmitisse as ideias que estavam nas palavras. Ele levou isso para o cinema, sabendo como tornar o método (se é que aquilo era mesmo um método, e não uma iluminação) concisamente cinematográfico. Wilker talvez tenha sido, em Sua geração, o ator de cinema brasileiro que melhor soube interpretar tratá-la como seu público. Agressiva ou para a câmera, carinhosamente, mas sempre portadora do único critério a que se submete. Hoje, ele não é só um dos maiores atores brasileiros de todos os tempos, mas também um dos melhores do mundo, reconhecido por toda parte. Tenho muito orgulho de ter feito com ele alguns de meus filmes, todos devedores de seu extremo talento e sua aguda inteligência.

Cacá Diegues

Troféu Chico Botelho - Lírio Ferreira

Homem ano

Quero começar dizendo que o Lírio é muito mais que um amigo, é um irmão, então não tenho motivo para esconder minha profunda admiração pelo seu trabalho como diretor.

Poderia falar horas de inúmeras qualidades, que fazem dele um dos mais importantes diretores brasileiros da nossa geração, mas vou me prender a qualidade que faz dele um diretor único, o "Homem Plano".

Não conheço ninguém que ame tanto o "plano" como ele, e que tenha feito tantos "planos" que não saem nunca mais de nossas cabeças. Poderia falar de muitos, mas gostaria de citar o meu preferido, que é do "Árido Movie", uma pan circular do Vale do Catimbau interminável, onde ouvimos o índio (José Dumont) e Jonas (Guilherme Weber), falando de pedras, bichos e suas semelhanças.

Indescritível , só vendo.
No mais, que venham mais "planos" Lírio, para iluminar nossas retinas.

Paulo Caldas

Patrono - Luiz Carlos Merten

Muita gente deve pensar que existe rivalidade entre os críticos de cinema. Não que eu saiba, e não atualmente. Sabemos conviver com as diferenças de opinião dentro dos parâmetros dos gostos pessoais. E claro que temos, porém, nossa admiração e preferências. E no meu caso, certos critérios. Alguns estão na profissão apenas de passagem, a caminho de alguma assessoria ou emprego público. Outros, porem vieram para ficar, estão aqui porque gostam, amam, não podem viver sem isso. A paixão pelo cinema e constante e inabalável. E se expressa a todo momento. De todas as formas.

Esse e o caso de Luiz Carlos Merten, o gaúcho que, há alguns anos, escreve diariamente no jornal O Estado de São Paulo, como ele mesmo confessa, fazendo a coluna de filmes na TV, porque sempre tem um espaço grande e menos controle, pode se estender sobre aquilo que deseja. O que na imprensa atual e um privilegio raro, talvez único, e que ele aproveita de forma brilhante, saboreando cada referência, entusiasmado a cada frase. E como e um escritor compulsivo, reserva espaço no seu Blog, no site do mesmo jornal, para atar seu cotidiano, o que fez, o que viu (muitas vezes demolindo peças de teatro, que os incautos e mal informados endeusarem). Não sei se todos sabem que Merten e também uma lenda urbana. E famoso o fato de que ele não toma notas numa entrevista, guarda tudo de memória e depois reproduz fielmente o que foi dito e conversado, por vezes ate anos depois do fato ter acontecido ( por exemplo, num festival no exterior). Já fui testemunha de vários casos semelhantes e da admiração do entrevistado. Até porque tomar notas desconcentra e faz parte o fio da meada, e usar um gravador intimida. Então ele pode dar atenção integral ao que faz. Sincero, ele nunca bajula a pessoa. Ao contrário, tira dúvidas, contesta, não se deixa enganar.

Pode-se dizer que é um workaholic, mas de forma elogiosa. Cobrir festivais e uma maratona de resistência física, e muitas vezes estive com ele cobrindo estreias concorridas, e tendo deadlines impossíveis. Sempre bem humorado, sempre com um sorriso, disposto a interromper para conseguir mais uma nota, outro depoimento, mais uma atualização. E uma pessoa generosa. Uma prova disso, tive com o livro do Edmar Pereira, na Coleção Aplauso. Foi ele quem coletou todo material, selecionando-o no arquivo do jornal, com cuidado e paciência. Tudo para que ficasse registrado parte da obra do amigo, já falecido.

Se sinto falta de alguma coisa dos festivais na Europa e que me proporcionava a prazer de sair para jantar com o Merten. Aqui , nunca temos tempo, ocasião, disponibilidade. Estamos Sempre correndo e mal nos saudando em alguma pré-estreia. Mas era um prazer tomar um bom vinho europeu, conversar sobre os filmes, a vida, a profissão. E, de vez em quando, ele volta a fazer o elogio do seu filme favorito, Rocco e Seus Irmãos, de Visconti . E uma pessoa "querida" (como dizem os gaúchos), amigo que sempre, com modéstia e inteligência, nos transmite o amor pela vida e pelo cinema. Tomara todos os críticos, todos os jornais, cada um no seu espaço, fossem como ele.

Rubens Ewald Filho

Homenagem Especial Curta Cris — Beto Volpe

Meu querido amigo: Beto Volpe
Meu querido companheiro de luta: Beto Volpe
Meu grande irmão: Beto.

Com muito orgulho e com muita dedicação escrevo essas poucas palavras para expressar a nossa gratidão e o nosso amor por tudo o que você nos ensinou. Hoje existo me espelhando em você um homem de luta, de esperança e de bondade, de trabalho. De orgulho vitória e de paixão Você que é um exemplo de dedicação para com sua família sempre com muita garra e com muito amor. Nunca, nada lhe fez desanimar.

Obrigado por vocês ser essa pessoa forte que nos transmite a cada dia a esperança num mundo mais fraterno e mais colorido.

Resumindo: um São Jorge lutando com muito orgulho contra o dragão do preconceito.

Viva a luz que existe dentro de você.

Cris

Homenagem Especial - Projeto Gente é pra Brilhar

O talento não tem preço, não tem medida, não tem endereço.

Quando deparamos com uma obra que nos emociona, que nos impulsiona para o mundo da contemplação, temos a certeza de que além do esforço e dedicação, está ali o dito talento, a propriedade dos artistas.

O projeto Gente é pra Brilhar, nada mais é do que um catador de talentos, com a mira apontada para a inclusão social. É uma estrada que tenta encurtar a distância entre a falta de perspectiva e o sentimento da possibilidade.

Com esse propósito e tendo o cinema como seu grande motor o projeto encontrou jovens da baixada santista - residentes em áreas carentes de Santos, Cubatão, São Vicente e Praia Grande e capacitou-os em técnicas de produção audiovisual, com noções de fotografia, direção, roteiro, produção e edição.

No exercício prático de formação eles produziram um vídeo e participaram da realização de cinco documentários que retratam a vida de outros jovens com trajetórias de superação e inclusão social.

Todo esse material foi transformado em instrumento multimídia composto por charges animadas, crônicas, planos de aula e filmes, e posteriormente distribuído para as escolas das redes de ensino parceiras da região. Os educadores dessas redes conheceram e planejaram o uso dos materiais em oficinas realizadas nos municípios.

Por fim, há o livro Gente é pra Brilhar que registrou a multiplicação das ações, demonstrando o poder de mobilização e o efeito pedagógico do projeto.

É o poder do talento e sua valiosa aliança com o audiovisual.

Marcos Didonet - Diretor do CIMA, Coordenador Geral do Gente é pra Brilhar

Homenagem Especial - 10 anos de Canal Brasil

Canal Brasil é 10!

Ao longo dos seus 10 anos, 0 Canal Brasil se renovou e se transformou no canal da cultura e da alma brasileira, com uma programação que compreende todos os ciclos do nosso cinema, chagando aos mais recentes filmes da produção nacional e passando pelo mundo do cinema latino. Novos rostos, novas entrevistas, novos shows. Um novo canal, mais diverso. Um novo olhar, mais contemporâneo, reunindo só o que a gente gosta.

A jornada do Canal Brasil teve início no dia 18 de setembro de 1998 quando entrou no ar o longa-metragem "Sonho sem Fim" de Lauro Escorel Filho — não por acaso, o filme relata a trajetória de Eduardo Abelim, pioneiro do cinema que lutava pela consolidação de uma produção essencialmente brasileira. Daí em diante, o Canal Brasil apresentou 1.266 longas brasileiros e latino-americanos, 207 médias e 985 curtas-metragens; e recebeu, dentre outros, o Grande Prémio da Critica (APCA) e o Prémio Especial do Minc.

O cinema nacional já está na génese do Canal Brasil, no entanto, a música, o teatro e as diversas manifestações artísticas vieram se juntar á programação, formando, assim, um rico e diverso painel cultural.

Tendo como objetivo o fomento á produção audiovisual independente brasileira, o Canal Brasil, sob esse conceito, se desenvolveu e produziu programas exclusivos: Espelho, Sem Frescura, Todos os Homens do Mundo, Zoobido, O som do Vinil, O estranho mundo de Zé do caixão, Estúdio 66, Faixa Musical, Letras Brasileiras, Mudando de Conversa, Procurando Quem?, Você está aqui, Amálgama Brasil, Quadrinhos, Conversa Fiada, Catálogo e Revista do Cinema Brasileiro.
Todos apresentados por um time de peso.

O Canal Brasil conta, em sua programação, com o brilho de grandes personalidades da cultura: Lázaro Ramos, Paulo Cesar Peréio, Pricila Rozembaum, Domingos Oliveira, Moska, Chatles Gavin, José Mogica Marins Zéu Britto, Oswaldo Montenegro, Roberto Menescal, Ricardo Silveira, Amir Labaki Julia Lemmertz, Jorge Mautner, Aldir Blanc, Augusto Boal, Ferreira Gullar, Zé Celso, Roberto Sá, Maria Luisa Mendonça, Leona Cava 1 li, Rodrigo Bittencourt, Nelson Hoiffr e Simone Zuccolotto. Também fizeram parte da historia do Canal Brasil: Selton Mello, Paulo Betti, Zezé Motta, Ângela Ro Rô, Pedro Luis, Chico Dias, Pedro Bia 1, Arrigo Barnabé, Martha Mediros, José Roberto Torero, Kledir Ramil, Geraldo Carneiro, Lucinha Lins, Claufe Rodrigues e Domingas Person.

Com a ideia de fortalecer ainda mais o casamento entre o cinema e a televisão, o Canal Brasil reserva um lugar cativo na grade para os filmes nacionais: Seleção Brasileira, Brasil Cult, Como era Gostoso... Sessão Interativa Curta na Tela e Mostras. Os longas Latinos americanos possuem uma sessão exclusiva, na faixa Cone Sul. Já os festivais de prestigio, como o É tudo Verdade, o Mix Brasil e o Anima Mundi, ganharam um espaço próprio na grade. E Canal Brasil resgatou ainda um importante marco televisivo do final dos anos 1980 e 90: O Documento Especial.

Conhecida por sua atuação constante na promoção do produto audiovisual, o Canal Brasil tem apoiado lançamentos de filmes e eventos, incluindo a transmissão ao vivo da noite de premiação do festival de Cinema de Gramado, desde de 2004. Nesse período o canal fez a maior cobertura na TV de diversos festivais de cinema brasileiro: Gramado, Brasil ia, Recife, Tiradentes, Florianópolis, São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Cuiabá, dentre outros, além de mais de uma centena de eventos pré-estréias, debates e lançamentos na área audiovisual.

Criado com o Intuito de fomentar a produção de curtas metragens, o Prêmio Aquisição Canal Brasil concede, nos mais representativos festivais do País, o valor de $ IO Mil ao filme vencedor - e ainda a oportunidade de exibir o trabalho durante a programação. A tarefa de eleger o melhor curta de cada um desses eventos é um júri composto por jornalistas de diversos veículos de comunicação espalhados pelo Brasil e representantes do próprio canal.

E, para enaltecer ainda mais as produções nacionais, o Canal Brasil apresenta desde 2006, o Grande Prémio Canal Brasil de Curtas Metragens. O objetivo é premiar com S 50 Mil - Até 2007 0 Prêmio era de S 20 Mil — 0 melhor curta dentre os 10 filmes vencedores do Prémio Aquisição Canal Brasil do Ano Anterior. Um júri formado por apresentadores do Canal Brasil assiste aos concorrentes e escolhem o grande vencedor através de voto secreto.

Como consequência de seu desenvolvimento, o Canal Brasil tem participado de novas produções em parceria com uma serie de produtores independentes. Dentre os títulos realizados, podemos destacar: "Adolfo Cali - Um Homem entre duas Culturas", a primeira co-produção internacional do Canal Brasil; 'Canto de Baal" "A Etnografia da Amizade"; Anabazys"; "Waldiickdoc"; "Histórias Cruzadas" e Hermeto Pascoal - Ato de Criação";

O Canal Brasil é uma associação da Globosat com o Grupo Consorcio Brasil , formado por Luis Calos Zelito, Marco Alberto, Roberto Farias e Anibal Massaini Neto, cinco dos mais Barreto, conceituados cineastas brasileiros e Paulo Mendonça, diretor—geral do grupo.

Homenagem Especial - 80 anos de Cineclubismo no Brasil

Este ano comemoramos os 80 anos do Chaplin Club, primeiro cineclube formalmente constituído no Brasil. Mas o significado do cineclubismo para o cinema no Brasil, para o cinema brasileiro, para a cultura e para o público vem de antes e vai muito além desse período.

O cineclubismo constitui uma matriz fundadora do cinema. Vai na mão contrária à do cinema comercial , cujo norte é unicamente o lucro e, em que pese ter criado fatos, eventos, astros e fiImes memoráveis, volta-se para a repetição das fórmulas , para a manutenção do estabelecido e, pior, para a dominação dos mercados - e portanto para o sufocamento das expressões culturais diversas ou autónomas, em que 0 público é platéia inerme e burra, consumidor, objeto. Sob seu reinado, implantou-se um cinema monolingue, monocórdico, unilateral e excludente.

Já o cineclubismo, que se define por justamente não visar o lucro, foi a inspiração e a origem das mais importantes instituições do cinema e do audiovisual. Nos cineclubes nasceu a crítica cinematográfica e uma imprensa de debate, dos cineclubes derivam as cinematecas, deles vieram os festivais de cinema. Nos cineclubes formaram-se - e ainda se formam - os maiores nomes do cinema. E é em torno os cineclubes que Se estrutura o que há de cinema nacional nos países mais arrasados pela presença esmagadora da produção hollywoodiana. Os cineclubes surgiram, na verdade há mais de 80 anos, exatamente para denunciar a unilateralidade e a uniformidade do cinema reduzido a instrumento do capital . Os cineclubes nasceram e são até hoje os únicos e os legítimos representantes do público. A consciência e a voz do público que se organiza objeto, que é sujeito — e não objeto do processo cultural.

Felipe Macedo - Presidente da Federação Paulista de Cineclubes

Homenagem Especial - Escuela Internacional de Cine y San Antonio de Los Baños

Escola Internacional de Cinema e TV de San Antonio de 10s Baños (EICTV) - situada a uma hora de Havana, Cuba - e uma das maiores instituição do género em todo o mundo. Destaca-se outras das outras, principalmente, pela vi são de seus fundadores: 0 escritor colombiano ganhador do Prêmio Nobel Gabriel Carcia Marquezo poeta e cineasta argentino Fernando Birri e o realizador e teórico cubano Julio Carcia Espinosa.

Fundada em 1986 como uma organização não governamental subordinada a Fundacion Del Nuevo Cine Latinoamericano (FNCC), os criadores da EICTV buscavam a instalação de uma "Escola de Tres Mundos" para estudantes da America Latina, Africa e Asia.Desde então, milhoes de profissionais e estudantes, vindos de mais de 50 paises, transformaram esta Escola em um espaço para a diversidade cultura, de alcance internacional , melhor descrito como a "Escola de Todos os Mundos.

No aspecto docente a Escola desenvolve o Curso Regular e o Programa de Formação Continua, que inclui Oficinas Internacionais e Cursos Superiores.

O Curso Regular conta com um programa de três anos com sete especialidades direção, roteiro, fotografia, som, e documentário. Todos os anos são selecionados apenas seis estudantes por cada modalidade para 46 vagas no total do curso.

A plataforma pedagógica consiste, principalmente, em ter os melhores especialistas de todas as partes do mundo como professores em cada uma das especialidades. Este se leto corpo acadêmico garante que os estudantes tenham acesso aos princípio teóricos, práticos e conceituais do cinema, da televisão e dos meios alternativos de comunicação.

A excelência de pedagogia na Escola foi reconhecida em 1993, quando venceu o Festival Internacional de Cannes com o premio Roberto Rossellini, dados as obras individuais e institucionais que representam o espirito de progresso, generosidade e humanismo característico do grande diretor italiano.

O sonho dos fundadores da Escola que se transformara em uma instituição sempre renovada e renovadora — voltou a manifestar se em 2007 , com a nomeação de Tanya Valette como diretora geral Com ampla experiência na atividade audiovisual e cultura, Valette se graduou na primeira geração da Escola, em 1990, e é a primeira mulher a ocupar o cargo.

Adaptando-se constantemente as novas tendências culturais e tecnológicos, a EICTV mantem o lema original "aprender fazendo" e, para citar a Ata de Nascimento, continua em busca da visão humanista e utopia que a diferencia no panorama mundial.

Que passa pela Escola, que fica em um ambiente cercado pela natureza, fica motivado pelo espírito e inspiração criativa do lugar. A maioria dos alunos descreve o tempo passando na Escola como uma experiência wue mudou suas vidas.

Homenagem especial - 10 anos sem Plinio Marques

Tempo da fraternidade

A Santos efervescente dos anos 50, do tempo de Pagú, quando foi forjado o genial artista que residia desde 29 de setembro de 1935 em Plínio Marcos, se reflete nos agitados festivais culturais que a cidade jamais se esquiva de engendrar e abrigar, como 0 Curta Santos, já em sua sexta edição.

Nada menos de meio século se passou desde que Plinio, então o palhaço na forma de diálogo Frajola, despejou no papel que lhe era familiar pela vivência no circo-teatro - a pungente Barrela. Revelada de pronto justamente para Patrícia Galvão, em 1958, a peça que levou Santos a ganhar pontos na dramaturgia nacional ficou proibida por mais de 20 anos.

Como Plínio amava sua cidade e sua gente! Origens que inspiraram, nos idos de 60, Dois Perdidos Numa Noite Suja, Navalha na Carne, Homens de Papel, O Abajur Lilás. Nos 70, esse universo se expandiu em títulos como Oração para um Pé-de-chinelo e Quando as Máquinas Param.

Na década de 80, as raízes da rua das Laranjeiras - que abrigava, no Macuco, as esquinas onde Plinio assumiu compromissos para sempre - eclodiram em obras Como Jesus Homem, Madame Blavatski e Balada de um Palhaço, repletas de religiosidade. Então, trinta anos depois da estréia de mini o na dramaturgia, A Mancha Roxa reafirmou a linguagem contundente de Barrela.

Nos anos 90, quando escreveu textos vitais como O Homem do Caminho e A Dança Final , PIinio batalhou pela publicação de Sua Obra completa, contabilizando 40 anos de dramaturgia em 1988. No ano seguinte, foi falar com Deus. E até hoje ainda lhe devemos essa. Meio século! Tem data mais significativa?

É por essas e por outras, como diria Plinio.. . ah, deixa pra lá. Sua voz, seu olhar, Sua poesia e sua força estão para sempre cravadas nesse abençoado pedaço de mundo onde ele começou a semear as idéias plantadas em suas andanças durante toda a vida. O coração de Santos continua pulsando, sua gente continua entoando as mais doces canções da liberdade.

Plinio foi um guerreiro impecável em batalha permamente para que o homem fosse irmão do homem. Com certeza, as telas da sua cidade vão mostrar, neste Curta Santos, que novos guerreiros se alinham para agitar a bandeira da fraternidade, que implica em igualdade, liberdade e tantos outros ideais defendi dos por corações valentes — e captados por câmeras atentas.

Que Santos continue a lançar as sementes de um mundo melhor - o que só será possível, como preconizou Plinio Marcos, discutindo até às últimas consequências os problemas do homem.

Vera Artaxo

Homenagem Especial In Memoriam — Rubens Lara

Convivi com o Rubens Lara desde a minha juventude. Crescemos juntos.

Posso dizer que fui testemunha ocular da sua presença na história de Santos, da região e do Brasil. Por isso acho importante ressaltar que ele sempre foi uma figura diferenciada, em tudo quanto atuou. Antes de conquistar mandatos políticos, sobressaia mais o jovem sensível, solidário e idealista. Acho que o Rubens Lara era um artista que não teve tempo de se dedicar mais às artes, porque a política exigiu muito mais dele. Mas bem que ele tentou, como integrante de conjunto musical no auge da jovem guarda, ou no momento em que revelou os seus quadros como artista plástico.

Rubens Lara foi vereador, deputado, secretário de Estado, dirigente de estatal, mas nunca deixou de se dedicar aos estudos e às novas gerações. Rubens Lara, nos últimos anos, adorava ser reconheci do como professor e para conseguir esse intento, lecionava em várias faculdades ao mesmo tempo.

Ele deixou uma folha de serviços, que nos orgulha muito. Além disso, Rubens Lara era um facilitador, porque considerava a necessidade do agente público se dedicar à mobilizaçào de todas as partes, governamentais ou não, de modo que a sociedade tivesse a garantia dos benefícios, sem privilégios. Rubens Lara faz falta, porque nos momentos de decisão, ele era um mediador, o mais equilibrado que já conheci, garantindo as melhores decisões, sempre após ouvir todas as partes envolvidas.

Sua presença nos últimos tempos, à frente da Agência Metropolitana da Baixada Santista, fez prevalecer a conduta que orienta uma região que busca soluções comuns para os seus problemas: integração! Rubens Lara sempre foi um cidadão agregador!

JEFERSON NOVELLI - Amigo e companheiro de lutas