Homenageados - 8º Curta Santos

Tema: Só os loucos sabem...

Desafio.

Palavra presente em todas as edições do Curta Santos. Mas nesta, chegou mais intensa e provocante para toda equipe. Planejar, preparar, criar e inovar ações para a 8a edição ficou mais difícil.

Neste espirito de insegurança, lembramos de um conselho que nos foi dado: "Não devemos desistir de nossos sonhos, e sim, investigar o que nos inquieta e incomoda e por pra fora. E exibir a todos aquilo que realmente gostamos de fazer", e então, fomos em frente.

Reunimos os amigos e parceiros, decidimos produzi r um festival do nosso jeito. Sem comparações, mas com respeito e orgulho de termos recebido um legado de trabalho. Percebemos que nossas ações tinham que correr à frente de nosso tempo, com ar de contemporaneidade, na busca do ideal coletivo, rompendo barreiras, transgredindo e investindo no ser humano como as grandes personalidades da loucura visionária o fizeram: Pagu, Plínio Marcos e Maurice Legeard. Entendendo e subvertendo o conceito de cultura em suas obras e trajetórias.

Dai surge um tema, e pelas coisas curiosas que acontecem na vida, ele fora soprado aos ouvi dos de Ludmilla Rossi pelo som da música "Só os loucos sabem" do grupo Charlie Brown Jr, e dessa semente é que damos início a tudo isso.

O Junior começando a convidar nossos homenageados. A Tássia preparando as inscrições para as mostras competitivas junto com a Cintia, eu captando os recursos e me dividindo para dar conta do executivo e do geral. O Diego chegando dos Estados Uni dos para assumir a condução da imprensa amparado pelo Zé Pimentel A Liliane e Rodrigo (Queijo) aprontando a abertura e o encerramento, a Raquel coordenando tecnicamente o festival e a Taysa, ficando responsável pelas escolas. Ufa! A base estava montada.

Foi então que chamamos os novos componentes e as outras pessoas que já contribuíram anteriormente, e que neste ano eram fundamentais: Carlos Pinto, Wânia Seixas, Toninho Campos, Ipopovit, Salgado, Brasil, Telma, Maria Lúcia, Arnaldo, Regina, Mônica Real, Janaina, Lone, Oswaldo, Digo, entre outras pessoas. A lista era imensa e repleta de carinho e solidariedade para com esta empreitada. E com este impulso demos o ritmo merecido à produção.

Salve, Paulo Goulart! Ele é o nosso patrono. Comemoramos com grande felicidade o aceite do convite pela grandiosidade de seus trabalhos nos principais títulos do cinema brasileiro.

Chico Diaz, um dos maiores talentos do cinema do brasileiro, ator de Amarelo Manga, A cor de seu destino, Corisco e Dada, Os matadores, O Sol do Meio Dia e entre diversos outros, receberá o troféu Cláudio Mamberti, pelo conjunto de sua obra.

Ao Projeto Cine Tela Brasil, o nosso aplauso por percorrer mais de 300 cidades brasileiras com uma sala de cinema completa, com mais de 700 mil espectadores, exibindo mais de 100 filmes brasileiros sob a coordenação de Lais Bodanzky e Luiz Bolognesi (Bicho de sete cabeças, Chega de saudade e as Melhores Coisa do mundo). O projeto é agraciado com troféu Maurice Legeard pelo incentivo à cultura do audiovisual.

Para receber o troféu Chico Botelho, nossa homenageada é a jovem diretora Eliane Caffé, cineasta, formada em Cuba e Espanha, que dirigiu entre outros filmes, os premiados Narradores de Javé e Kenoma, e que pré-estreia, em Santos, dentro da nossa programação, o longa "O Sol do Meio Dia".

Abrir-se-ão as cortinas do Sesc-Santos no dia 14/09, soarão os primeiros acordes e o principal homenageado da noite não estará entre nós. Ele partiu para junto de seus ídolos e está a observar tudo. Como perfeccionista que era, deverá indagar se está tudo certo pra abrir, se tem bastante gente na plateia, se a imprensa veio, se terá uma boa divulgação, se os convidados estão atrasados, se a iluminação e o vídeo estão afinados no tempo certo, e se tudo não está um verdadeiro caos.

E nós, olhando e sorrindo para ele, sabíamos que no final tudo daria certo porque ele estava no comando e nós estávamos seguros.

Por último, perguntaria: — Onde eu fico, na plateia ou no palco?

E nós responderíamos: - Você ficará eternamente em nossos corações...

Esta noite é sua Toninho!

Nosso Toninho Dantas do Curta Santos.

Nos guie sempre

Sua Equipe - Curta Santos

A Importância das Ideias (Beijo e até um dia)

Tio:

Tudo bem? Tenho certeza que sim.

Não sabe o que me pediram. Adivinha? Vou poder trabalhar contigo na edição do Curta Santos esse ano. Ah, não é bem trabalhar. Pediram para eu escrever sobre você. Tanta coisa passa pela minha cabeça agora.

Escrevo sobre o Toninho Dantas, que é do público, e todos conhecem?

Ou escrevo sobre o que só alguns puderam conhecer? Que loucura; quem diria que matava aula para ir para o cinema, chegaria tão longe. Que escreveriam sobre ele. Fico alguém que hoje, esse alguém seja eu.

Posso falar que as primeiras lembranças que tenho de você, são relacionadas ao cinema. De quando nos anos 80, me levava (como a maioria das crianças) pra assistir um blockbuster dos Trapalhões. Mal sabia eu que você seria o meu maior companheiro de cinema. Você havia me despertado uma paixão forte pela tela que jamais me largou. Você me deu vocabulário. Me lembro de quando você trazia seus filmes favoritos para eu ver, Como uma criança que trás um brinquedo novo pra casa do amigo. Das vezes que você me colocava pra assistir "O Grande Ditador", e "Tempos modernos". Chaplin sempre foi uma referência. A Capacidade de se comunicar com a eloquência que só a imaginação aliada a genialidade é capaz de fazer. A capacidade de sintetizar em um pequeno espaço de tempo, uma emoção que te permite entender uma ideia. Não é essa a ideia do curta? O uso da síntese para passar uma mensagem. Só quem viveu uma época onde palavras não eram necessárias pode ter tido tamanha paixão pelo uso da imaginação e da interpretação. Uma época onde a arte era muito mais valorizada, pois não haviam subterfúgios hi-tech para solucionar qualquer problema de roteiro ou direção. Talvez por isso, tanto os curtas, quanto o teatro, tenham sido tão importantes na sua vida.

Agora mais velho, me lembro de ter assistido a "O Pagador de Promessas", de Anselmo Duarte contigo do lado. De você ter me mostrado o significado do cinema leiro. De acreditar em nossa capacidade de fazermos um filme, e que não devemos nada para qual quer produção americana. De saber, com toda certeza, de que somos capazes de fazer um cinema de extrema qualidade.

Me lembro também dos filmes de "Glauber Rocha", principalmente "Deus e o Diabo na Terra do Sol, e de como aquilo te fascinava. Era a prova que nosso cinema além de forte, também podia ter uma identidade regional, também podia não só falar português, mas ser brasileiro. Que podíamos evoluir, com uma linguagem própria, regional. Regionalidade, que seria também, uma missão para sua vida no futuro.

Você me ensinou também a ter respeito pelas produções baratas. Me ensinou a ter respeito pelas produções da boca do lixo paulistana. Que a retratação da realidade, cruel e inflexível, também é uma produção cultural séria, e deve sempre ser respeitada. Lembro-me de seu imenso respeito por Plinio Marcos, seu teatro e seu roteiro. De como você o considerava um ídolo, pelo poder de dizer o que queria, quando queria e da forma que queria. Ele também representava a liberdade e a espontaneidade que permearam o "personagem" Toninho Dantas durante todo o tempo. Sim, porque você tio, pra mim sempre será um personagem. Escrito por algum roteirista celestial, que assim como no cinema-verdade, te traria a terra com a missão de não ser nem e herói nem vilão. Mas de cumprir sua missão. E isso você conseguiu.

Lembro-me hoje de você estar me contando da sua ideia de lançar o festival Curta Santos. Do seu suor, da sua luta por recursos, e do exército de aliados que acreditarem nesse sonho, e devotaram boa parte de seu tempo (e por vezes de seu próprio bolso) para tornar real aquilo que era imaginação. Das participações internacionais, sempre celebradas, pois mostravam o prestigio que o festival havia obtido. Mas também de como o Curta Santos em um caldeirão efervescente de ideias e talentos. Uma vitrine, que permite a uma nova geração de apaixonados por cinema ter uma voz (ativa!) na produção cultural da Sua região. De que a máxima de que "uma câmera na mão e uma ideia na cabeça" é capaz de trazer resultados por muitas vezes mais louváveis que uma produção milionária hollywoodiana. E assim soltarmos um doce (e orgulhoso) lamento: se podemos com pouco, imagina quanto ti vermos muito...

Mais do que um produtor cultural, você foi alguém que apostou no talento das pessoas. Nas pessoas ao Seu redor que podiam transformar seu sonho de criar uma vitrine para sua região, uma realidade. E que apostou no talento do seu povo, que esta vitrine seria preenchida com qualidade, para que existisse uma continuidade no seu sonho.

Hoje, será o primeiro Curta Santos sem você tio. Mas o motivo de eu ainda falar sobre você no presente, é porque seu sonho permanece vivo, mantido pelo exército cultural que foi abraçado por você. E que se depender deles, esse sonho nunca vai morrer Disseram que seria impossível tanto ser feito. Disseram que não teria público. Disseram que não teria aderência. Que o público santista não se interessaria por uma produção local. Disseram que não havia espaço para este festival. E vemos a cada ano as salas mais cheias. Mais reconhecimento. Mais gente apostando na cultura. Mais gente entrando no seu exército.

O que me citar outro louco santista, que você aliás adora, que diz nos palcos que "para quem tem pensamento forte, o impossível é só uma questão de opinião". Você é prova disso.

Vai com fé e segue em frente tio.

A semente está plantada e será germinada pela geração que, assim como você (e hoje graças a você) pode estar em um ambiente em que pode ser valorizada a imaginação, o valor das ideias, o regionalismo, a importância da produção local e o orgulho que devemos ter delas, e do respeito imenso que devemos ter de facetas que permeiam a nossa sociedade. E de que em uma sociedade criativa e inteligente, não existe espaço para pré-conceito contra minorias. Pois unidos sob um ideal, sob uma bandeira, minoria em si deixa de existir. Pois todos somos um.

Quem sabe daqui a alguns anos, eu possa ainda estar falando contigo no presente. E homenageando alguém descoberto, e criado dentro do seu festival. Mas isso é futuro.

Ontem você homenageou. Hoje é você que é homenageado. E por mais acanhado que você seja quando é homenageado. Tio, eu só posso te dizer:

MUITO OBRIGADO

Beijo e até um dia.

Leonardo DANTAS Bertella

Troféu Cláudio Mamberti — Chico Diaz

Chico Diaz foi meu professor.

Dito assim, parece metáfora:

O irmão mais novo, que cresceu vendo o irmão mais velho atuando em teatro, cinema e TV, escreve no programa de um festival de cinema que o homenageia um texto onde declara essa influência, oferece um relato íntimo do quanto essa imagem foi importante para ele. É. É também... É também.

O fato é que eu comecei a fazer teatro tendo como professores o Damião, o Claudio Baltar e 0 Chico Diaz. Era num Colégio, 0 Souza Leão, onde a família toda (somos seis irmãos!) tinha estudado. Nessa época eu nem estudava lá, literalmente me botaram para dentro, me deixaram fazer aquele teatro ali com eles. O Chico tinha 22 anos„. Tinha o Manhas e Manias, grupo que incluía o próprio Baltar, Pedro Cardoso, Zé Lavigne, Débora Bloch, Andréa Beltrão, Mario Dias e Marcio Trigo. E tinha essa cena que o Chico fazia, meio clownesco, meio mimico, de um garoto que olhava pela janela, ficava curiosíssimo pelo mundo lá fora, acabava abrindo a janela e caia no chão com a força do mundo e das buzinas de fora... Não tenho como esquecer isso, não só porque era muito bom, mas porque volta e meia eles me deixavam ficar vendo ensaio, Teatro Ipanema, Parque Laje.

Isso foi antes (ou depois?) do filme do Sérgio Resende, « O Sonho Não Acabou » , que foi quando Chico chegou em casa com um moto com sidecar, com uma boca pintada com uns dentes enormes, parecia uma coisa meio blitzkrieg, meio de guerra, e ele indo fiImar em Brasil ia, Lauro Corona, Miguel Falabella, Lucélia Santos, Louise Cardoso... Eu falava, deve ser bom esse negócio, divertido... E foi com certeza antes de ele chegar e dizer que ia fazer um filme com Marcello Mastroiani... Como assim ????? Pois é, ia contracenar com Mastroiani, coisa que a vida dá, olha que beleza. E com Sonia Braga... Chato.

E antes ou depois de não sei quantos filmes, curtas, médias, longas, que mostraram a cara do Chico e fizeram todo mundo dizer que ele era a cara do Brasil e também que ele era o novo Wilson Crey, o homem das centenas de fi mes„. E eram muitas caras, muitos sotaques (o Múcio, matador paraguaio, incrível atuação no primeiro longa do também incrivel Beto Brant), e cada vez mais a cara do Brasil era a cara de um ator que tem muitas caras, e ainda tem gente que acha que ser ator é decorar as falas e posar para revista.

A beleza maior, ou uma delas, é sempre ouvir dos técnicos quando faço cinema (é claro que todos conhecem o Chico e mandam um beijo pra ele, beijo esse que sempre esqueço de mandar) sobre como ele entende daquilo, como ele ajuda a cena a acontecer, etc. Acho bonito, porque não é uma questão só de conhecer as lentes, saber « atuar para cinema » , mas um aprendizado de vida, de ritmo, de convivência com a equipe, de saber da espera como parte do trabalho, de estar no lugar, na locação, como arte do trabalho, de incluir na cena a convergência do trabalho daquela gente toda, achar o espaço e encaminhar o que deve ser encaminhado para o lugar certo, com todas as dúvidas e riscos de um trabalho artístico. É entender a relação do que se faz ali com as possibilidades de resultado, dialogar com a direção, saber errar e saber repensar o que se está fazendo, sabendo que o negativo está queimando. Muitos filmes, muitos filmes...

Pois o professor ensina fazendo, continuando a fazer, fazendo cada vez melhor. Me cansei de ver os filmes que o Chico fazia, e por sempre ter me achado muito parecido com ele, ver alguma coisa nele que eu podia estar fazendo parecido. Se era alguma coisa surpreendente, pensava que precisava correr atrás, o danado está inventando coisa. Se era alguma coisa que eu já conhecia demais, ou de que eu não gostava tanto, pensava: eu faria de outro jeito, acho que ele deu mole nessa que os personagens foram se sucedendo e dando a ele os espaços para não só reafirmar o talento como para crescer, como se cresce com o tempo, com a paixão e com a admirando e aprendendo, se vendo ali e aprendendo...

Então, meu irmão, estão (estamos) te homenageando. Pois sinta-se homenageado. De verdade. Tem a hora de plantar e tem a hora de colher, não é? A homenagem não é elogio, cena, conheço esse bicho... O que importa é para não só reafirmar o talento como para dedicação. E a gente vai acompanhando, se homenageado. De verdade. Tem a hora de é gratidão.

Abraço!

Enrique Diaz
(PS « El sombrero, hombre! El sombrero! » Não era assim ? Tribobó City?)

!Troféu Chico Botelho — Eliane Caffé

Lili.

Representar é contar emocionalmente uma história, seja uma comédia, um drama ou uma tragicomédia. Os personagens são Seres esculpidos no coração dos atores, que é um viveiro de almas, um criadouro de animais estranhos, plenos de luz e sombra, de infinitas fantasias, que povoam as vilas reais e imaginárias da humanidade! São extensões da nossa infância, artimanhas da natureza, para que o homem possa, através da arte, escrever sua certidão de nascimento espiritual , no grande poema de deus, que é a vida!

Os autores nos dão a semente dos sonhos, mas são os atores e os diretores que criam e dão vida a esses sonhos! É aqui que entra Eliane Caffé, Ou Lili, como é chamada carinhosamente pelos amigos. Lili, é essencialmente, uma diretora de ator! Mais do que isso, é uma artesã do cinema, que trabalha fio por fio na construção das delicadas rendas da alma dos personagens e dos interpretes. Como uma escultora, ela usa o cinzel afiado do humor e da observação permanente e intensa, para colocar o homem da ficção, como um espelho, para o homem da realidade! O mais importante não é a câmera, e sim quem está diante dela! E diante dela somos todos de argila.

Somos todos mexidos à exaustão, fritos, quebrados, colados novamente, refeitos com milhares de pedacinhos de nós mesmos e principalmente dela. Não é no tripé que Eliane coloca a câmera... e no coração! É como se ela fosse uma fábrica de azulejos, onde cada um nos conta uma história existida, criada ou imaginada. Eu mesmo peguei dois deles, que foram absolutamente especiais pra mim: Lineu (de Kenoma), um construtor de sonhos. E Antonio Biá (dos Narradores de Javé) que deve ter engravidado Eliane em uma outra encarnação. Porque ambos, tem 0 mesmo sangue do humor! Do humor delicado, inteligente, assentado em palavras e gestos seletivos! Eliane me trouxe de volta pro cinema, numa época em que o Brasil não olhava mais pra mim, e me deu um personagem onde eu pude usar minha criatividade e me colocar de novo no mundo cinematográfico! Vi ramos parceiros, amigos! Pra mim Lili, além de linda, é dotada de um talento fantástico, engraçada, pop, moderna, atenta aos movimentos do mundo e principalmente boa pessoa! Essa brasil ei rinha danada... me faz acreditar no Futuro! Lili, é uma imagem cigana... bordada na poeira do infinito!! Um beijão Lili... te adoro!!

Jose Dumont

Patrono - Paulo Goulart

Uma homenagem é sempre o reconhecimento de uma trajetória.

E a trajetória cinematográfica de meu pai é o resultado de parcerias artísticas significativas do ponto de vista do cinema no Brasil, ele esteve presente nos movimentos mais importantes da identidade do cinema brasileiro como no filme "Rio Zona Norte" de Nelson Pereira dos Santos um marco do cinema novo brasileiro. Esteve presente nos filmes de Arrelia "O barbei ro que se vira" Dercy Gonçalves, "Cala boca Etelvina" e Grande Otelo, no "Grande Momento" de Roberto Santos, "Pista de grama" de Haroldo Costa e em tantos outros filmes marcantes para os cinéfilos de carteirinha. Das novas gerações ele participou de "Faca de dois gumes" de Murilo Salles, "Gabriela" de Bruno Barreto, "Kuarup" de Ruy Guerra, "O Auto da Compadeci da" de Guel Arraes, do filme homenagem a Mazaropi, "Tapete vermelho" de Luiz Alberto Pereira, O Redentor" de Claudio Torres. Da última leva de sucessos fez "Chico Xavier, o filme" de Daniel Filho e o recém lançado "Nosso lar" de Wagner de Assis.

Sem contar com sua trajetória no teatro e na televisão.

Atores como ele 'fazem' a história de uma geração participando e se modificando junto com a história do Brasil. São histórias de vida que se mesclam com os acontecimentos gerando testemunhos de um tempo. O ator em plenitude dá um testemunho de si mesmo em cada trabalho que faz através de suas escolhas, de seu olhar, da participação efetiva no resultado final de uma obra.

Se o cinema Brasileiro tem uma cara ela é sem dúvida a dos atores brasileiros que servindo de instrumento para as ideias dos roteiristas e diretores dão seu corpo, sua emoção, sua voz e sua intenção para que a José Dumont Obra se torne viva. É a humanidade que confere a arte o poder de transformar a sociedade.

Tenho orgulho de participar desta homenagem mais do que merecida a meu pai Paulo Goulart por uma trajetória tão ética, digna e vitoriosa.

Bete Goulart

Estrela na Calçada da Fama - Toninho Dantas

Acostumei-me, já não sei mais há quanto tempo, todas as vezes que me reporto a Santos, cidade em que nasci e onde passei minha infância e minha juventude, a vi sua lizar no coração e na mente, a figura gorducha e sorridente deste incansável militante cultural, amigo incondicional de todos os momentos, que foi Toninho Dantas.

Não posso conceber chegar a Santos e não me deparar com sua calorosa figura, recebendo a gente de braços abertos, faça chuva ou faça sol, na alegria e na tristeza, como embaixador e como arauto da vida cultural de toda a Baixada, que ele iluminava e promovia com o entusiasmo próprio dos grandes personagens que fazem parte da história dessa terra de Braz Cubas.

Exigente crítico e refinado observador do cenário político e social, Toninho movimentou-se com desenvoltura pelos intricados meandros deste uni verso de interesses públicos e privados, que movem as engrenagens do poder, sem deixar contaminar-se por qualquer viés fisiológico.

Manifestava-se corajosamente a respeito de tudo, nos palcos e nas tribunas, com a habitual coerência ética que o caracterizava, permitia que tivéssemos uma visão abrangente e desinteressada, das bandeiras que ele sempre defendeu.

Não acredito que sua presença nos tenha sido roubada pelo simples fato de não encontrar-se mais fisicamente entre nós.

Ao lado de personalidades como Pagu, Plínio Marcos, Cláudio Mamberti, José Greghi Filho, Carlos Alberto Sofredini, Margarida Rey e Cacilda Becker, Toninho Dantas permanecerá cada vez mais vivo na memória de todos nós, como estrela-guia a nós conduzir pelos árduos caminhos de nossas lutas e de nossas conquistas.

Sérgio Mamberti

Homenagem Especial Cine Tela Brasil

O Cine Tela Brasil é a primeira sala de cinema itinerante do pais.

Iniciado há 5 anos, o projeto ultrapassa a marca dos 700 mil espectadores e vai de cidade em cidade levando cinema de graça para a população que não tem acesso às salas convencionais.

As duas unidades do Cine Tela Brasil possuem um dos maiores índices de ocupação das salas de cinema do pais: 88%. Instalando-se em periferias, o Cine Tela Brasil permanece 3 dias em cada cidade e realiza 4 sessões diárias, para crianças e adultos. A sala do cinema itinerante tem conforto e padrão de shoppings centers: conta com 225 lugares, ar condicionado, projeção cinemascope 35mm, som estéreo surround com leitor laser, tela de 21mm².

Por meio de parcerias com as Secretarias Municipais de Educação e Escolas da rede pública, promove agendamento de grupos de alunos para visitarem a sala do Cine Tela Brasil. Realizadores: A Buriti Filmes é a produtora que concebeu e realiza o Cine Tela Brasil. Conta com o patrocínio da CCR Cultura nas Estradas e Fundação Telefônica, além de inúmeros apoiadores.

Criada em 1997 pelos cineastas Lais Bodanzky e Luiz Bolognesi, a Buriti Filmes coleciona mais de 73 prêmios nacionais e internacionais. Algumas das realizações da produtora são os filmes Bicho de Sete Cabeças e Chega de Saudade, o documentário Cine Mambembe, O cinema descobre o Brasil, entre outros.

Breve Histórico: Em 1996, com um projetor 16mm, uma tela montável, filmes brasileiros de curtas-metragens e uma perua Saveiro, os cineastas Lais Bodanzky e Luiz Bolognesi deram início ao Cine Mambembe, organizando sessões de cinema no estado de São Paulo, Nordeste, assentamentos e aldeias indígenas.

O registro audiovisual dessa aventura dá origem ao documentário Cine Mambembe, o Cinema Descobre o Brasil. Em 1999, esse documentário ganha da TV Cultura 0 prémio de Melhor Documentário no Festival Internacional de Documentários de São Paulo. Posteriormente, estreia nas salas de cinema e ganha diversos prémios nacionais e internacionais, sendo exibido em oito países da América e Europa.

Por meio de leis de incentivo à cultura, do Ministério da Cultura, o Cine Mambembe recebe o patrocínio da empresa Companhia de Concessões Rodoviárias (CCR). Em 2004 o projeto deixa de ser mambembe e passa a se chamar Cine Tela Brasil. A nova sala de cinema itinerante conta 225 cadeiras e ar condicionado, projetor 35mm, som surround, projeção cinemascope num ambiente totalmente vedado e protegido da luz e da chuva.

Em maio de 2008, o Cine Tela Brasil lançou a segunda sala de cinema itinerante, patrocinada pela Fundação Telefônica. Nos meses de novembro e dezembro, a unidade percorreu sete cidades, com o patrocínio da Comgás, por meio do I Fundo Comgás de patrocínio Sociocultural 2008. NO final de 2008 o projeto comemorou a marca de 460 mil espectadores, após percorrer 71 cidades com as duas unidades.

Em 2009, as duas salas do Cine Tela Brasil percorreram juntas mais de 80 cidades. O projeto ultrapassou durante esse ano um público de 640 mil espectadores.

Oficinas Itinerantes de Vídeo Tela Brasil

Em Junho de 2007, iniciamos o projeto Oficinas Itinerantes de Vídeo Tela Brasil, cujo objetivo é oferecer ferramentas de criação e expressão através do audiovisual às comunidades visitadas pelo Projeto de Cine Tela Brasil.

Além de frequentar as aulas, gratuitas, os alunos também têm Contato Com personalidades do cinema brasileiro, como Cao Hamburguer, João Moreira Salles, Marina Person, Milhem Cortaz, José Mojica Marins, Caio BIat, Paulo Betti, Carolina Ferraz, Helvécio Hatton, Eduardo Coutinho, entre outros. Já foram realizadas 53 Oficinas Tela Brasil resultando em 159 curtas-metragens.

Homenagem Especial Curta Cris — Vange Leonel

É sempre muito difícil escrever sobre pessoas próximas a nós. Deve ser porque a simples presença em momentos importantes nos torna tão cúmplices que dificulta o distanciamento necessário.

Vange Leonel é cantora, compositora, escritora, cronista, ativista lésbica e feminista. Seu talento como artista, usando variadas formas de expressão, é incontestável. Sua eficiência como ativista contribui para o avanço da discussão das questões feminista e lésbica em nosso pais. Sei o quanto Vange se entrega a cada nota ou cada palavra que cria. Tenho orgulho de ser sua parceira.

Homenagens são recompensas por um trabalho bem realizado. Podem ser constrangedoras para os mais tímidos. Sei que Vange prefere o carinho a manifestações cheias de pompa e circunstância. O nome de Maurice Legeard ligado a este prémio garante que os elogios não sejam vazios e que chutemos com alegria qualquer sombra de seriedade e chatice. O pai de Vange nasceu em Santos, ela tem uma sereia tatuada no braço, o time da cidade é o time dela (meu também) e sei que esta lembrança do festival ao seu trabalho a emociona profundamente.

Então é simples quero agradecer, em nome da Mostra Curta Cris dentro do Curta Santos, a Vange Leonel por colocar à disposição do Brasil sua luta para que respeitemos a diversidade e tornemos nossa sociedade justa para todos. Que estes valores encontrem eco nas pessoas que prestigiam este festival e que respeito, independência, originalidade e alegria dominem os ares de Santos para o mundo.

Cilmara Bedaque