Toninho Dantas

"Tive uma infância muito feliz com meus pais, mesmo analfabetos, preocupados com minha formação, educação e sempre nos falando que deveríamos procurar ler e estudar para sermos cidadãos".

Um agitador cultural, uma pessoa rica em histórias e um coração sem tamanho. Assim era Toninho Dantas, um homem simples que começou sua longa trajetória pelo mundo das artes em Vicente de Carvalho e passou por todos os palcos do País ao lado de nomes conagrados do teatro brasileiro. Um ano após sua morte, amigos e conhecidos desse gigante ainda lamentam sua ausência.

A história de Toninho Dantas começou a ser escrita em Vicente de Carvalho, distrito de Guarujá. Filho de imigrantes nordestinos, cursou a Escola de Arte Dramática na USP, trabalhou nas TVs Gazeta e Record. Além de participar de vários espetáculos teatrais, integrou o Centro de Pesquisa Teatral de Antunes Filho e fez cinema na famosa Boca de Lixo Paulista e na tv onde atuou com diretores como Adhemar Guerra, Cacá Rosset, Augusto César Vanucci, Silney Siqueira, entre outros.

Em Santos, ele foi o responsável pela produção de duas edições do Festival de Música Popular Brasileira (Festhamar), foi coordenador durante cinco edições do Festival Santista de Teatro Amador (Festa) e dirigiu os sete primeiros festivais do Curta Santos.

Exemplo de talento e perseverança, Toninho brilhou no mundo das artes, mas nunca se despiu da simplicidade que o consagrou como uma das personalidades mais importantes da cultura santista.

Sua vida foi repartida entre descobertas e infortúnios. Para muitos amigos que tiveram que se despedir deste deste grande homem, seu tempo na Terra foi muito curto. Mas, os mais próximos sabem que ele soube aproveitar cada minuto da sua vida. E melhor do que viver foi ter compartilhado suas realizações e conquistas ao longo dos anos

Sua relação com a cultura começou cedo. Seu pai e avó foram para a guerra e durante a infância do ator, compartilhavam histórias dos países que conheceram enquanto guerrilhavam.

Com apenas 12 anos, Toninho provou da alegria e tristeza do mundo das artes. Convidado para uma peça de teatro, precisou se despedir dos palcos para uma cirurgia das amidalas. Anos depois, já atuando na Prodesan, em Santos, improvisou em uma amostra para professores de teatro e encantou a atriz Berta Zemmel, protagonista da novela Vitória Bonelli.

Após entrar na Escola de Arte Dramática da USP, Toninho Dantas viveu por 12 anos em São Paulo, onde fez teatro profissional e trabalhou com feras como Antunes Filho, Esther Goes e Ruth Escobar.

Através de arte, você forma pessoas e leva consciência e cidadania. E esse era o pensamento de Toninho, que também foi castigado pela repressão da ditadura militar. Enquanto viajava pelo País com a peça A Revista de Henfil, adaptação do cartunista Henfil, Toninho foi preso em Porto Alegre, onde ficou escondido em um quartel.

Nessa época, o agitador cultural adquiriu a consciência e a seriedade do trabalho de ator e também passou a entender que a arte é um veículo para a melhoria da situação humana.

Toninho também chegou a atuar na direção de espetáculos teatrais e quando foi celebrado os 200 anos da morte de Tiradentes, levou às ruas de Santos mais de 100 atorees, que caminharam cantando, do Gonzaga a Concha Acústica. Para ele, ser anarquista tratava-se de um modelo que tentava melhorar a qualidade de vida das pessoas e do próprio poder. E o poder precisava ser racionado para que o ser humano pudesse se sobressair.

Contratempos nunca deixaram de existir e Toninho sempre soube como enfrentá-los. Enquanto fazia o espetáculo chamado Velhos Marinheiros, onde atuaram Alexandre Borges e Antonio Calloni, Toninho Dantas teve uma crise de cachumba que desce para o pâncreas. Para se sakvar da enfermidade, necessitou de remédios fortes que lhe tiraram 80% da audição. Por ter rejeição à peninsilina, seus tímpanos foram queimados. A deficiência o tirou dis palcos, mas não o afastou do que mais amava: a arte.

E não precisou de muito tempo para logo se encontrar. Trabalhando nas ruas de Santos como taxista, conheceu uma senhora chamada Glorinha Vasconcelos, o que o levou para a produção de duas edições do Festival de Música Popular Brasileira (Festhamar).

E como para a arte não existem conceitos nem preconceitos, a idade e a condição de Toninho Dantas, naquele momento, não o diferenciaram de nenhum outro profissional. Ele era só mais um ser humano se readaptando a uma nova condição.

Por cinco anos foi coordenador do Festival Santista de Teatro Amador (Festa) e se despediu da vida de centenas de amigos após dirigir sete edições do Festival Santista de Curta Metragens (Curta Santos), que hoje ocupa um lugar no calendário da região e é consagrado como um dos festivais mais importantes do País.