14º CURTA SANTOS - FESTIVAL DE CINEMA DE SANTOS
Troféus

Chico Botelho - Quem foi?

Nascido em 1948, na cidade de Santos (São Paulo), Chico Botelho foi um diretor de fotografia, rotei rista e cineasta brasileiro.

Ele era um dos expoentes da nova geração de cineastas paulistas e era professor da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo desde 1975.

Destacou-se como di retor de fotografia para filmes de Nelson Perei ra dos Santos ("A Estrada da Vida"), Roberto Santos e João Batista de Andrade, antes de estrear na direção de longas.
Um dos criadores da Tatu Filmes, que reuniu cineastas do bairro paulistano de Vila Madalena, Botelho fez seu primei ro longa-metragem em 1982. Produzido pela Tatu e Embrafilme, "Janete" conta a história de uma jovem sem familia que cai na prostituição para sobreviver. O enfoque realístico dado à marginalidade juvenil foi resul tado de um frustrado documentário sobre as prisões femininas que Botelho começou a filmar para a "TV Cultura".
O realismo não foi bem absorvido pela Censura Federal, que cortou três das cenas de "Janete", depois de ter sido exibido premiado no Festival de Gramado, em 1983. A Censura não engoliu especialmente os momentos de lesbianismo entre Lílian Lemmertz, no papel de uma severa di retora de presídio, com Ni Marinelli, a presidiária Janete.

Dois anos depois, o cineasta levou o prêmio de melhor curta-metragem em Gramado, com o documentário "Longa Viagem". O segundo longa, "Cidade Oculta' - com Arrigo Barnabé, Cláudio Mamberti e Carla Camuratti nos principais papéis -, venceu o 2º Rio Cine Festival e encerrou o 19º Festival de Brasília, em 86. Esse noir rodado inteiramente na noite de São Paulo - nas margens do Rio Pinheiros, no reduto dark Madame Satã e na Chinatown brasileira, o bairro da Liberdade - foi descrito por Botelho como seu compromisso com "o pessimismo e a barbárie dos anos 80".

Desta vez, foi a barbárie que despertou a ira dos censores. A cena-alvo foi aquela em que o policial corrupto Ratão - papel que deu o prêmio de melhor ator coadjuvante a Cláudio Mamberti injetava cocaína em seu próprio braço.

Faleceu em 1991, no Rio de Janeiro.

Filmografia:
1992 - Fronteira Carajás
1992 - Jogo da Memória
1991 - Independência
1991 - O inventor
1991 - O Outro
1990 - Cristo Procurado
1989 - A Arte no Auge do Império
1989 - Nem Tudo que é Sonho Desmancha no Ar
1989 - Pós-Modernidade
1988 - Imagem
1987 - A Mulher Fatal Encontra o Homem Ideal
1987 - Arrepio
1987 - Canabraba - A Necessidade de Expressão
1983 - Tribunal Bertha Lutz